sexta-feira, 20 de julho de 2012

Honoré de Balzac

Até o Grande Amor Cansa

Até o grande amor cansa

 
        A despeito do que poderia os desavisados pensarem,
amor e cansaço não são incompatíveis.
As pessoas cansam de amar, cansam mesmo.
Cansam de amar no vácuo, no vazio, a contragosto,
na marra, na mão única,
com esforço, no amor à camiseta,
cansam de amar quando amar é uma luta inglória,
é uma sede saciada a conta-gotas.

        As pessoas cansam de nos amar apesar de nos amarem muito,
as pessoas cansam de nos amar quando o amor é à custa de teimosias,
defeitos, desaforos, desatenções, estupidez, falhas de caráter,
falta de tempo, descuidos, TPM, stress, chatice, drama, descaso,
reclamações, egoísmo, omissões, negligências, filhadaputices,
prioridades outras, grosserias, inaptidões, incapacidades,
má administração, indiferença, cronograma insano, sacanagens,
ingratidões, desídia, pouco caso, desconsideração, intolerância.

        O amor suporta muito e não espera um escambo de atenção e sentimento,
mas o amor tem ida e vinda, tem mão dupla,
tem uma razão outra que não é puro altruísmo e desapego.
Não pense que quanto mais o outro suporta,
quanto mais o outro luta, maior é o seu amor.
Isso é uma sabotagem imbecil de quem não se sente
merecedor ou capaz de retribuir.
Pai dedicado cansa. Filho devoto cansa. Irmão parceiro cansa.
Amigo de fé cansa. Até o grande amor cansa.
As pessoas cansam e desamam e se perdem e vão embora e não voltam mais.
Amor não é para sempre, não, não se engane. O que é para sempre é saudade.

        E a gente fica triste e fica infeliz e fica miserável e fica com a vida besta
e vazia depois que quem nos ama desiste, a gente fica com a vida oca,
fica tudo preto e branco e a gente acha que tudo bem,
que vai ficar tudo bem e a gente se engana que supera,
paciência, não era pra ser,
não era forte o suficiente, não era verdadeiro o suficiente,
mas não fica tudo bem, não supera coisa nenhuma, não era pra ser uma ova.
Nananinanão, senhor. Porque a gente também cansa da tristeza e do vazio,
a gente também cansa da solidão e da miséria,
a gente também cansa da infelicidade,
mais cedo ou mais tarde, e aí ó, babaus, já cansaram de nós.

        Portanto, não ponha o amor à prova.
Não se proponha a testar até onde ele suporta.
Amor não é gincana, não é rali, não é prova de resistência.
Amor é pra amar e cuidar muito bem.
Já chega o fato de que tem todo o resto do mundo para criar problema,
para dar trabalho, para dificultar as coisas.
Lute por e não contra. Lute muito, lute bastante.
Mereça o seu amor enquanto ele ainda é seu e ainda está aqui.

Honoré de Balzac

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Afirmo para quem quiser ouvir


Eu sou estúpido! Por vários motivos posso afirmar minha estupidez. O modo como tomo decisões imaturas e precipitadas. O modo como afirmo coisas que não são cem por cento verdade. E minha capacidade de fazer que acreditem em mim, e acreditem no que digo, mesmo quando sei das minhas debilidades, e da incapacidade que tenho em cumprir com as promessas que faço a mim mesmo. Promessas essas, que nunca deveria fazer à ninguém.
No entanto, sou feliz, ou ao menos tento ser. Considerando que arrisco tudo no que acredito, diria até que sou louco. Se dizem, alguns, que felicidade é sinal de loucura, digo eu que me preparem um hospício. E para aqueles que dizem que a felicidade são espasmos ocasionados pelo acumulo de estresse, e que são simples e curtos momentos em nossas vidas, posso lhes afirmar que minha vida é uma composição de explosões desses momentos. Portanto, do MEU jeito, sou feliz! Talvez por isso tão estupido, não?!
Enfim, contradizendo toda essa lógica ilógica, vivo minha vida sem pensar tanto no futuro. Ao invés disso, prefiro gastar meu curto e precioso tempo aproveitando meu presente, que é novo e inesperadamente surpreendente a cada segundo. Já que não posso prever meu futuro, nem quero lamentar pelos erros cometidos em meu passado obscuro, tento viver cada momento de minha vida como se fosse o ultimo.
Queria ter coragem para falar o que sinto e o que penso. Mas tento contentar-me apenas em passar um pouco disso para a folha do caderno, a fim de evitar novos danos irreparáveis.
Parafraseando: Sou medroso, estupido e louco. Mas posso afirmar para quem quiser ouvir: sou feliz!


 Victor Hugo Lobo Alves
Brasília-DF, 17 de Janeiro de 2011