sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vejo Tudo em Preto e Branco


O tempo passa, as coisas mudam, e as minhas percepções vão ficando cada vez mais aguçadas. Ao ver que o tempo voa numa velocidade que poderia quebrar a barreira do som, percebo que não fiz nada; não pude ajudar meus amigos que se entupiram com as drogas do mundo.
A droga da T.V., da internet, que disfarçadamente roubam nosso tempo, e enchem nossas cabeças de porcarias miseráveis e fúteis. Não pude ajudar minha família, que vagarosamente caía num precipício, em cujo fundo se encontrava a tristeza, a solidão, a pobreza. Pobreza de mente, de sentimento, pobreza de amor, de amigos, pobreza de tudo que te ajuda a crescer, do que te torna alguém.
Estou ficando sem amigos, pois os que diziam sê-lo, mostraram o contrário. Estou morrendo! Ainda restam alguns, talvez hipócritas, mas só o tempo poderá dizer.
Hoje ando sem pressa, pelas ruas esnobes de tanta solidão. Vejo o mundo em preto e branco, sem graça, sem luz, sem nada.

 Victor Hugo Lobo Alves - Brasília-DF, 2011

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Autodes(as) Desconhecidos(as)

O Sonho de Karina

O Sonho de Karina


         Desde pequena, Karina só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser Gran Ballerina do Ballet Bolshoi. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam-se resignado: o coração de Karina tinha lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado pelo dia em que se tornaria bailarina do Bolshoi.
         Um dia, Karina teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, Diretor Máster do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a companhia. Dançou como se fosse seu último dia na terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único passo. Ao final, aproximou-se do Máster e perguntou-lhe:
          -Então, o senhor acha que posso me tornar uma Gran Ballerina?
          Na longa viagem de volta à sua aldeia, Karina, em meio às lagrimas, imaginou que nunca mais aquele “não” deixaria de soar em sua mente.
          Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha, ou fazer seu alongamento em frente ao espelho.
          Dez anos mais tarde, Karina, já uma estimada professora de ballet, criou coragem de ir à performance anual do Bolshoi em sua região.
          Sentou-se bem à frente e notou que o Sr. Davidovitch ainda era o Diretor Máster.
         Após o concerto, aproximou-se dele e contou-lhe o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera, anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz.
          - Mas, minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes, respondeu o Sr. Davidovitch.
          - Como o senhor poderia cometer uma injustiça dessas? Eu poderia ter sido uma Gran Ballerina se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou!
         Havia solidariedade e compreensão na voz do Máster, mas ele não hesitou ao responder:
          - Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente, se foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião de outra pessoa.


O primeiro passo, para se realizar um objetivo, é ter a convicção de que é possível alcançá-lo, não importando em quantas tentativas.



Autor(a) Desconhecido(a)

Ana Carolina

Só de Sacanagem

Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
   " - Não roubarás!"
   " - Devolva o lápis do coleguinha!"
   " - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
   “ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
   ”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
   " - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
   ” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

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Autores

Pe. Fábio de Melo

Deus é Pai

Victor Lobo

Afirmo para quem quiser ouvir
Amor Proibido
Inviolabilidade do Espírito
Homens ou Demônios
Vejo Tudo em Preto e Branco

Lista de Textos

Lista de Textos em Ordem Alfabética

Homens ou Demônios

Será que devo dizer que te amo? As pessoas deste século já desconhecem o verdadeiro sentido do amor. O amor já não é descrito mais como um sentimento, mas sim como uma expressão, uma expressão sem muito valor, que não mais provém da sinceridade, que já é mencionada como se não fosse diferenciada da frase “Eu gosto de você!” ou “Você é bacana!”.
Será que devo citar que acredito? Que tenho fé no que meus olhos não podem ver e minhas mãos não podem tocar, mas que sinto e compreendo em meu coração. Será que você acredita ao menos que eu acredito?
O mundo, quando visto por olhos conscientes, pode ser interpretado como uma grande máquina, que converte vagarosamente homens em demônios. Mas infelizmente somos cegos, temos olhos que não enxergam, e, quando piscamos , percebemos que o tempo passou sem percebermos, e que nossas vidas estão chegando ao fim. Percebemos que nossos netos, tal como nós, encaram a vida sem essa real percepção e, só quando envelhecem alguns anos, é que percebem em que foram transformados, e se iludem com a idéia de que já é tarde demais para recomeçar.

Você pode deixar que o mundo te converta, ou pode começar a converter o mundo... Basta acreditar!


Victor Hugo Lobo Alves - Brasília-DF, 2009

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Deus é Pai


Quando o sol ainda não havia cessado o brilho,
Quando a tarde engolia aos poucos as cores do dia
E despejava sobre a terra os primeiros retalhos de sombra
Eu vi que Deus veio assentar-se perto do fogão de lenha da minha casa
Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça
E buscou um copo de água no pote de barro
Que ficava num lugar de sombra constante.
Ele tinha feições de homem feliz,
Realizado, parecia imerso na alegria que é própria
De quem cumpriu a sina do dia
E que agora recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe.
Eu o olhava e pensava:
Como é bom ter Deus dentro de casa!
Como é bom chegar à essa hora da vida
Em que tenho direito de ter um Deus só pra mim.
Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos,
Puxar a caneta do seu bolso
E pedir que ele desenhasse um relógio bem bonito no meu braço
Mas aquele homem...aquele homem não era Deus,
Aquele homem era o meu pai
E foi assim que eu descobri
Que meu pai com o seu jeito finito de ser Deus
Revela-me Deus... com seu jeito infinito de ser homem.

Pe. Fábio de Melo