quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Deus é Pai


Quando o sol ainda não havia cessado o brilho,
Quando a tarde engolia aos poucos as cores do dia
E despejava sobre a terra os primeiros retalhos de sombra
Eu vi que Deus veio assentar-se perto do fogão de lenha da minha casa
Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça
E buscou um copo de água no pote de barro
Que ficava num lugar de sombra constante.
Ele tinha feições de homem feliz,
Realizado, parecia imerso na alegria que é própria
De quem cumpriu a sina do dia
E que agora recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe.
Eu o olhava e pensava:
Como é bom ter Deus dentro de casa!
Como é bom chegar à essa hora da vida
Em que tenho direito de ter um Deus só pra mim.
Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos,
Puxar a caneta do seu bolso
E pedir que ele desenhasse um relógio bem bonito no meu braço
Mas aquele homem...aquele homem não era Deus,
Aquele homem era o meu pai
E foi assim que eu descobri
Que meu pai com o seu jeito finito de ser Deus
Revela-me Deus... com seu jeito infinito de ser homem.

Pe. Fábio de Melo

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